LENDA DO PALÁCIO DAS LÁGRIMAS

lagrimas             

                                                                    Fonte : Internet

 

Segundo Zelinda Machado de Castro Lima, diretora do Centro de Criatividade Odylo Costa Filho, instalado na Praia Grande, em São Luís, são mais de duzentas as lendas existentes em todo o estado do Maranhão. Para ela, “O isolamento da ilha, com um grande contingente de negros, gerou esse misticismo, que também era reforçado pelos portugueses”. Em uma dessas narrativas, conta-se que que existiu na rua de São João, defronte da igreja do mesmo nome e quase na esquina com a rua da Paz, em pleno centro histórico de São Luís, um casarão de três pavimentos que se tornou conhecido pelo nome de Palácio das Lágrimas em virtude de fatos tristes que lá aconteceram.

As versões que procuram detalhar esses acontecimentos são muitas, mas, de forma geral, elas revelam que em detrminada época, dois irmãos portugueses chegaram ao Maranhão com a intenção de fazer fortuna. Um deles, chamado Jerônimo de Pádua, conseguiu enriquecer graças à sua atividade de comerciante, mas, segundo comentários que circulavam na cidade, sua melhor fonte de renda provinha do tráfico de escravos. Já o outro não foi bem sucedido no que fazia e por isso não conseguiu sair da pobreza. Inconformado com seu fracasso, ele então passou a invejar a boa sorte do mano, e como este não era casado, pois vivia amasiado com uma escrava e portanto os filhos dessa união ilegal não poderiam ser considerados legítimos, o sentimento crescente de desgosto e rancor redundou no projeto maligno do pobre assassinar o rico para herdar os seus bens.

E foi o que fez realmente. Apossando-se de tudo, o irmão maldoso passou a tratar os seus escravos com crueldade, inclusive a que fora amásia do falecido, e a situação ficou desse jeito até o dia em que um dos cativos – por sinal, filho de Jerônimo de Pádua com a amante, e portanto sobrinho do fratricida – descobriu que fora este o assassino de seu pai e por isso o matou atirando-o de uma das janelas do casarão. Preso pelo que fizera, ele foi condenado à morte e logo depois executado em uma forca levantada diante do sobrado. Diz a lenda que momentos antes da consumação do enforcamento, o condenado amaldiçoou o casarão fatídico com as seguintes palavras:”Palácio que viste as lágrimas derramadas por minha mãe e meus irmãos. Daqui por diante serás conhecido como palácio das lágrimas”. E assim o sobrado passou a ser chamado.

Por sua vez, o Suplemento Cultural e Literário JP (www.guesaerrante.com.br) publica que o escritor Jomar Moraes, ex-presidente da Academia Maranhense de Letras e autor de inúmeros trabalhos sobre a história maranhense, relata em seu Guia de São Luís do Maranhão, que são várias as lendas relacionadas ao prédio que ficou conhecido como Palácio das Lágrimas. O pesquisador revela que uma delas diz respeito a dois irmãos portugueses que se aventuraram a vir ganhar a vida no Maranhão na época do Brasil colônia. Um deles – Jerônimo de Pádua, comerciante cujas atividades também compreendiam as de traficante de escravos – enriqueceu bastante, provocando a inveja do outro irmão.

Segundo Jomar, esse irmão pobre concebeu um plano macabro para assassinar Jerônimo – que tinha herdeiros legítimos – visando herdar-lhe a grande fortuna. Praticado o crime, e na posse dos imensos bens herdados de sua vítima, o assassino passou a tratar os escravos com muita crueldade, notadamente a escrava, que era amásia de Jerónimo e os filhos dela. Mas ele também acabou sendo assassinado por um escravo, que foi condenado à morte e executado na forca levantada em frente ao sobrado. Ao subir no cadafalso, o sentenciado proferiu, como últimas palavras, esta maldição: “Palácio que viste as lágrimas derramadas por minha mãe e meus irmãos! De hoje em diante serás conhecido como Palácio das Lágrimas”.

Outra lenda a esse respeito, presente em www.tambordecrioula.hpg.ig.com.br, conta que o acontecido resultou do amor entre uma escrava e o seu senhor. Nesse relato explica-se que um escravo ciumento envenenou os filhos do patrão e a escrava, inocente, acabou sendo condenada à morte, umedecendo com suas lágrimas as escadarias do palácio. Pouco depois ao certificar-se de que sua amada nada tinha a ver com o caso, o senhor acabou enlouquecendo.

Nos últimos anos do século 19, o poeta Joaquim de Souza Andrade, Souzandrade (1832 – 1902 ) empenhou-se em 1889 na criação da Universidade Atlântida, depois rebatizada com o nome de Universidade Atenas, e pretendeu instalá-la no Palácio das Lágrimas, após a restauração e adaptação do imóvel. Mas não conseguiu efetivar o seu projeto. A primeira universidade do Brasil somente viria no século seguinte, na década de 30 e, quanto à sua, o Maranhão precisaria esperar mais trinta anos.. Atualmente, no local, funcionam os cursos de Farmácia e Odontologia da Universidade Federal do Maranhão.

Fernando Kitzinger Dannemann
Contador de histórias
Recanto das Letras
Código do texto: T41518


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4 respostas em “LENDA DO PALÁCIO DAS LÁGRIMAS

  1. TEU BLOG ESTA UMA MARAVILHA CHEIA DE CORES E SENTIMENTOS É BOM VISITAR VOCÊ UM ABRAÇO E UM BEIJO POÉTICO EM SEU CORAÇÃO

    • Obrigada pela presença e delicada atenção. Feliz em saber que aprecia meu blog. Gosto do seu blog, um belo blog onde você partuilha imagens, impressões, sentimentos e cheio de lindas poesias. Gosto também da personalização. Beijo no coração.

  2. Muito interessante as lendas que brotam sobre as as nossa cidades históricas,essa sobre o palácio das lágrimas não conhecia.É muito bom saber.Passamos diante dos casarões com frequencia e não temos noção do que possa ter acontecido no interior deles.Algumas eu creio que até são veridicas outras apenas lendas mesmo.

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