Carnaval: celebrar a alegria de viver,apesar dos pesares por Leonardo Boff

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O Brasil tá vivendo uma das fases mais tristes e até macabras de sua história. Foi desmascarada a lógica da corrupção, presente em toda a nossa história, como parte de um Estado patrimonialista (colonialista, escravagista, elitista e antipopular) e sequestrado durante séculos pelas oligarquias do ser, do ter, do saber, do dominar e do manipular a opinião pública. Por todo esse tempo, grassou a corrupção e não apenas, como se atribuiu, nos últimos anos, quase que exclusivamente ao PT (é verdade, que suas cúpulas foram contaminadas), feito bode expiatório como forma de ocultar a corrupção dos privilegiados de sempre.

Surgiu um novo “Collor”(“caça aos marajás”), o “mito”, Jair Bolsonaro, (“exterminar a corrupção” e ” o comunismo”). Foram suficientes um pouco mais de dois meses de mandato para se identificar a corrupção também em suas próprias hostes, até em sua família. Muitos acreditaram ingenuamente na profusão de fake news e slogans de viés nazista: “Brasil acima de tudo”(“Deutchland über alles, lema de Hitler) e “Deus acima de todos”. Qual Deus? Aquele dos neopentecostais que promove a prosperidade material mas é surdo à nefasta injustiça social e que dá muito dinheiro a seus pastores, verdadeiros lobos a tosquiar as ovelhas? Não é o Deus do Jesus pobre e amigos dos pobres, de quem falava Fernando Pessoa “que não entendia nada de contabilidade e que não consta que tinha uma biblioteca”. Era pobre mesmo que perambulava por todos os lugares anunciando “uma grande alegria para todo o povo” como relatam os evangelhos.

Dentro deste quadro sinistro se festeja o carnaval. Não poderia deixar de ser, pois é um dos pontos altos da vida de milhões de brasileiros. A festa faz esquecer as decepções e dá espaço às muitas raivas afogadas na garganta (como milhares em São Paulo, gritando indecentemente ‘B.vá tomar no c`). A festa, por um momento, suspende o terrível cotidiano e o tempo tedioso dos relógios. É como se, por um lapso de tempo, participássemos da eternidade, pois na festa se suspende o tempo dos relógios.

Pertence à festa o excesso, a ruptura das normas convencionais e das formalidades sociais. Lógico, tudo o que é sadio pode ficar doentio, como o caráter orgiástico de algumas expressões carnavalescas. Mas não é esta a característica própria do carnaval.

A festa é um fenômeno da riqueza. Aqui riqueza não significa possuir dinheiro. A riqueza da festa é a riqueza da razão cordial, da alegria, de mostrar um sonho de fraternidade ilimitada, gente da favela com gente da cidade organizada, todos fantasiados: crianças, jovens, adultos, homens e mulheres e idosos dançando, cantando, comendo e bebendo juntos. A festa é a exaltação de que podemos ser alegres e felizes, apesar dos pesares.

Se bem refletirmos, a alegria do carnaval é uma expressão de amor que é mais que empatia. Quem não ama nada ou ninguém, não pode se alegrar, mesmo que angustiadamente suspire pelo amor. Um teólogo da Igreja Ortodoxa, do século V da era cristã, São João Crisóstomo (de quem o Card. Dom Paulo Evaristo Arns era um grande entusiasta e leitor) escreveu bem:”ubi caritas gaudet, ibi est festivitas”; “onde o amor se alegra, ai se encontra a festividade”.

Agora uma pitada de reflexão: o tema da festa comparece como um fenômeno que tem desafiado grandes nomes do pensamento como R. Caillois, J. Pieper, H. Cox, J. Motmann e o próprio F. Nietzsche. É que a festa revela o que há ainda de inocente e mítico em nós no meio da maturidade e da predominância da fria razão instrumental-analítica que rege nossas sociedades.

A festa reconcilia todas as coisas e nos devolve a saudade do paraíso das delícias, que nunca se perdeu totalmente. Platão sentenciava com razão:”os deuses fizeram as festas para que os homens pudessem respirar um pouco”. A festa não é só um dia que os homens fizeram mas também “um dia que o Senhor fez” como diz o Salmo 117,24. Efetivamente, se a vida é uma caminhada onerosa, precisamos, às vezes, de parar para respirar e, renovados, seguir adiante com alegria e coragem no coração

Donde brota a alegria da festa? Foi Nietzsche quem encontrou sua melhor formulação: ”para alegrar-se de alguma coisa, precisa-se dizer a todas as coisas: “sejam benvindas”. Portanto, para podermos festejar de verdade precisamos afirmar positividade de todas coisas. Continua Nietzsche:”Se pudermos dizer sim a um único momento então teremos dito sim não só a nós mesmos mas à totalidade da existência” ”(Der Wille zur Macht, livro IV: Zucht und Züchtigung n.102).

Esse sim subjaz às nossas decisões cotidianas,ao nosso trabalho, à preocupação pela família, ao emprego ameaçado agora pelas novas leis regressivas do atual governo, ao tipo de aposentadoria que nos é apresentada, prejudicando os idosos e os camponeses, à convivência com amigos e colegas. A festa é o tempo forte no qual o sentido secreto da vida é vivido mesmo inconscientemente. Da festa saímos mais fortes para enfrentar as exigências da vida, para a maioria, sempre lutada e levada na marra.

Temos boas razões para festejar nesse carnaval de 2019 para, por um momento,deixar de lembrar as agruras políticas e sociais que nos angustiam. Tiremos da cabeça, o atual governo ainda sem rumo e com ministros que nos envergonham e com políticos que representam mais os grupos que os elegeram que os reais interesses do povo. Apesar disso tudo, a alegria há de predominar. É ela que nos faz resistir e esperar contra toda a esperança. Dias melhores virão.

Leonardo Boff é filosofo, teólogo e escritor e escreveu :Virtudes por um outro mundo possível, 3 Vozes 2005

DIA DAS MÃES

Amanhã, 13 de maio de 2018, é o dia dedicado às Mães. Para marcar esse dia, escolhi este lindo texto que compartilhei de minha amiga Anabela de Araújo com tão linda ilustração!

 

“Os filhos são parte de nós. São a parte que não parte. São a melhor parte.
Os filhos são o coração fora do peito. O coração nas mãos. São a parte que nunca colocamos de parte. Nunca. São a parte e o todo. Sempre.
Os filhos nunca partem, mesmo que vão morar para longe. Nenhuma distância é maior do que o amor.
Os filhos são a nossa metade e meia. São a nossa entrega por inteiro.
Os filhos são o nosso pensamento. O primeiro e o último.
Os filhos são a nossa raiz e a nossa semente. São a vida depois da vida.
Os filhos são a nossa vida. Não podemos impedir que sofram e esse é o nosso maior sofrimento. Sofreríamos a sua dor mil vezes para que nem uma se atravessasse no seu caminho. Dá-los-íamos à luz mil vezes para que nenhuma sombra se atrevesse a tapar-lhes o caminho.
Os filhos são a nossa vida e damos a nossa vida por eles.”

Uma mãe

Ilustração: @rte de Steve Hanks*


 

FELIZ DIA DAS MÃES

MÃE

A palavra mais suave que os lábios humanos possam pronunciar é a palavra Mãe.
A mais bela invocação: “Mamãe”!
Uma palavra ao mesmo tempo pequena e imensa, cheia de esperança, de amor e de ternura.
A Mãe é tudo nesta vida: consolo na aflição, luz na desesperança, força na derrota.
É a fonte da piedade e da compaixão.
Quem perde sua mãe perde um peito onde reclinar a cabeça, e uma mão que o abençoa, e um olho que o protege.

Gibran Khalil Gibran

Imagem : Pixabay

CARNAVAL

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O carnaval está chegando. São dias de festa, bastante folia e alegria. Não tem data fixa sendo comemorado, geralmente, em fevereiro ou início de março. O precursor é o Entrudo, brincadeira que veio de Portugal consistindo em jogar uns aos outros farinha, água…

A data do Carnaval é calculada de acordo com o Dia de Páscoa e mais exatamente 47 dias antes. Este ano, a terça-feira de carnaval vai ser no dia 28 de fevereiro, acabando o carnaval, como sempre, na quarta-feira de cinzas.

Algumas pessoas pensam que o Carnaval tem lugar somente nas grandes  cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Salvador…, mas  as pequenas  cidades também contam a sua história por meio de samba enredo. Toda cidade no Nordeste tem seus festejos carnavalescos com muita animação e o desfile das escolas de samba de São Luís é tão antigo quanto o do Rio de Janeiro.

Brasileiros, que a magia do carnaval encante a todos!

Imagem : Chez Frizou

RESSURREIÇÃO DE JESUS CRISTO

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 O Beato João Paulo II : “A ressurreição deu a expressão definitiva e mais completa do poder messiânico, que estava em Jesus Cristo.Verdadeiramente Ele é o Enviado por Deus. É o filho de Deus. E a palavra que provém dos seus lábios é divina”.

Papa Francisco : “A morte e ressurreição de Cristo é o fundamento da fé cristã”.

Santo Agostinho : ” A ressurreição de Cristo é a nossa esperança”.

A palavra de Deus : “Ele lhes falou: Não tenhais medo. Buscai Jesus de Nazaré, que foi crucificado. Ele ressuscitou, já não está aqui. Eis o lugar onde o depositaram”. ( Marcos 16,6 )

É festa neste domingo de Páscoa. Jesus ressuscitou! Ele está vivo!
Este acontecimento constitue o coração da fé e esperança cristã.

Feliz Páscoa, amigos!

 

CORPUS CHRISTI

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O governo brasileiro extinguiu a proibição do trabalho em grande parte dos dias considerados santos pelos católicos. Entretanto, um dos feriados religiosos que ainda permanecem de pé é o dia em que se comemora a festa de Corpus Christi (expressão latina que significa “Corpo de Cristo”).

A festa é celebrada anualmente, mas não tem um dia fixo, ou seja, sua data é móvel e deve sempre ocorrer numa quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade. Neste ano, é comemorada hoje, 19 de junho.

Sua origem está ligada a um milagre acontecido na Idade Média. O sacerdote Pedro de Praga fazia peregrinação indo à Roma. Nessa viagem, parou para pernoitar na vila Bolsena, não longe de Roma e se hospedou na Igreja de Santa Catarina.. Na manhã seguinte, foi celebrar uma missa e pediu ao Senhor que tirasse as dúvidas que ele tinha em acreditar que Jesus estava presente na Eucaristia. Era difícil para ele acreditar que no pão e no vinho, estava o corpo de Cristo. Na hora em que ergueu a hóstia, esta começou a sangrar (sangue vivo). Ele assustado, embrulhou a hóstia e voltou à sacristia e avisou o que estava acontecendo. O sangue escorria, sujando, sujando todo o chão no qual apareciam vários pingos. Isso foi informado ao Papa Urbano IV, que estava em Orvieto, que mandou um bispo a essa vila verificar a veracidade de tal fato. O bispo viu que a hóstia sangrava e o chão, o altar e o corporal (toalha branca do altar) estavam todos manchados de sangue. O bispo pegou as provas do milagre e voltou para mostrar ao Papa. O Papa, entretanto, sentia algo estranho e resolveu ir ao encontro do bispo. As carruagens se encontraram na Ponta do Sol e o Papa desceu de sua carruagem e ao ver todas as provas do milagre, ajoelhou-se no chão e se dobrou sobre aquela hóstia sangrando e exclamou: “Corpus Christi (Corpo de Cristo)!”

Na solenidade de Corpus Christi, além da dimensão litúrgica, está presente o dado afetivo da devoção eucarística, o costume geral de fazer a procissão pelas ruas da cidade. O Povo de Deus encontra nesta data a possibilidade de manisfestar seus sentimentos diante do Cristo que caminha no meio do Povo.

É bom lembrar que nosso amor pela Eucaristia não se comprova na hora das procissões: comprova-se na hora do banquete. Pois é assumindo o Cristo que nos comprometemos a extinguir nossos instintos de violência e nossa sede de vingança, nossa agressividade e nossa inimizade, nosso ódio e nosso egoísmo.

A procissão lembra a caminhada do povo de Deus, que é peregrino, em busca da Terra Prometida. No Antigo Testamento esse povo foi alimentado com maná, no deserto. Hoje, ele é alimentado com o próprio corpo de Cristo.

Fonte: Portal São Francisco

 

 

OLHA O CARNAVAL AÍ, GENTE!

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O Brasil é conhecido como o “país do carnaval” e, como bons brasileiros, devemos saber um pouco sobre essa festa que contagia muita gente daqui e de diversas partes do mundo.

O carnaval é uma festa popular muito antiga e, por isso, não se sabe a origem exata dessa comemoração. O que se sabe é que essa tradição vem sendo transmitida de geração a geração há muitos séculos.

Quem trouxe o caranaval ao Brasil foram os portugueses, por volta de 1750. Nessa época, a festa era chamada de entrudo, palavra que vem do latim introitu e significa entrada, pois a comemoração começava na entrada (início) da Quaresma.

Mais tarde, surgiram as máscaras, as fantasias e as marchinhas. A serpentina (de origem francesa) e o confete (de origem espanhola) que enfeitam os bailes de salão chegaram ao Brasil em 1892.

Algumas fantasias, como as de Pierrô, Colombina, Arlequim e Rei Momo são bastante tradicionais, principalmente nos bailes de salão. Mas, mesmo com todo o sucesso desses bailes, o carnaval de rua é cada vez mais procurado e ainda preserva parte do folclore brasileiro.

CARNAVAL DE RUA

Desde o início do carnaval brasileiro, muitas pessoas o comemoram nas ruas. Foi assim que apareceram os blocos e os cordões, grupos que cantavam músicas próprias e que deram origem às escolas de samba.

Hoje, nos estados da Região Nordeste, o carnaval de rua reúne uma multidão de pessoas, entre brasileiros e estrangeiros.

Cada estado tem sua maneira de festejar. Na Bahia, por exemplo, a grande atração são os trios elétricos e, em Pernambuco, danças tradicionais como o frevo e o maracatu fazem a festa de adultos e crianças. Quem não se lembra de Caetano Veloso cantando “atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu?

O SAMBA

O samba tem origem em antigos ritmos trazidos pelos escravos africanos para o Brasil. Afirma-se que a palavra samba vem de semba que significa umbigada ou união do baixo ventre em dialeto africano. No século XIX, esses ritmos africanos sofreram a influência da polca, da habanera, do maxixe e do choro. A arte do samba chegou ao Rio de Janeiro com as baianas que ali foram viver.

IDADE DE OURO

A popularização do rádio, o Teatro de Revista e o desfile das escolas de samba fizeram dos anos 30 e 40 a idade de ouro do carnaval no Brasil. Marchinhas animavam os bailes e as ruas, e os sucessos musicais daqueles tempos permanecem vivos e entusiasmantes até hoje.

A marchinha Pra você gostar de mim (Taí), composta em 1930 por Joubert de Carvalho, lançou para o estrelato um grande icone do nosso carnaval: a “internacional” Carmen Miranda. A “pequena notável” emprestou a voz a diversas marchas carnavalescas.

Entre suas inúmeras gravações, podemos destacar: No tabuleiro da baiana (Ary Barroso, 1936), O que éque a baiana tem? (Dorival Caymmi, 1939) e Aurora (Mário Lago e Roberto Roberti, 1941).

Lamartine Babo (em parceria com os irmãos Valença) compôs a arrebatadora O teu cabelo não nega, em 1932, e foi também o autor do sucesso do carnaval de 1934.

História do Brasil
1934

Fonte: Portal São Francisco
Imagem: Gifs et Imagens